14 out. 15

Sabesp quer implantar ‘poupança de água’ no sistema Cantareira

Para esfriar a tensa disputa pela água entre as regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) defende a criação de uma “poupança” no sistema Cantareira.

A proposta da Sabesp (estatal paulista) é que toda a água que entrar nesse manancial, pelos rios e pelas chuvas, receba um tipo de “carimbo” -contabilizando a porção destinada à Grande SP e à região de Campinas.

Num cenário hipotético, se a Grande São Paulo tiver direito a 70% da água que entra no Cantareira, a Sabesp teria a opção de “economizar” e captar um volume menor -mas podendo utilizar esse excedente no futuro.

O mesmo direito de “poupar” a captação de água para usar esse excedente mais tarde valeria para a bacia do PCJ (região de Campinas) -que reivindica praticamente dobrar a quantidade de água a que tem direito hoje em dia.

As duas regiões travam batalha de bastidores na reta final para definição da nova autorização de captação do Cantareira -dada por órgãos reguladores federal e estadual.

Essa licença venceu no ano passado e, desde então, por causa da crise hídrica, estão sendo emitidas somente autorizações temporárias.

Pela regra anterior, feita em 2004, caso a região de Campinas recebesse mais água do que necessitava, essa água seguiria rio abaixo, sem ser utilizada para abastecimento.

No caso de São Paulo, a metrópole eventualmente poderia retirar um volume superior ao necessário, sem levar em conta a disponibilidade de água em outras represas.

O novo conceito foi proposto pela Sabesp há dois meses e aguarda resposta da ANA (agência federal) e do Daee (departamento estadual).

Ele é diferente da posição desses órgãos reguladores, que defendem a criação de faixas de risco a partir dos níveis das represas do Cantareira.

Nessa proposta, seriam criados quatro níveis de alerta. Conforme essas faixas de segurança vão sendo atingidas com a seca, medidas de contingência seriam disparadas. A principal delas é fechar a “torneira” do sistema.

Na visão da Sabesp, porém, essas faixas podem fazer com que a água seja desperdiçada em momentos de cheia. Sem um alerta de risco, por exemplo, as torneiras ficariam todas abertas.

Em termos conceituais, a proposta dos órgãos reguladores prevê controle maior sobre a retirada de água e visa um gerenciamento do sistema com mais cautela. A ideia da Sabesp é ter maior autonomia, para usar a água dependendo do momento.

O sistema Cantareira foi o mais afetado pela seca em SP desde 2014 -o volume de água que entra nas represas despencou para 20% da média ao longo do último ano.

Ele operava com 12,7% da capacidade nesta terça (13). Antes da crise, o Cantareira abastecia quase 9 milhões de pessoas só na Grande SP. Hoje abastece cerca de 5 milhões.

 

Fonte: Folha