20 jan. 15

Sabesp admite redução da produção de água do Sistema Alto Tietê

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)  admitiu, pela primeira vez, que reduziu a vazão do Sistema Alto Tietê para evitar seu ressecamento durante o período de estiagem. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (19) pelo superintentente da Unidade de Negócio Leste da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Márcio Gonçalves de Oliveira, que também informou que a redução de pressão na Grande São Paulo é permanente.

Segundo o superintendente, o Sistema Alto Tietê, composto por cinco represas, tem capacidade de produzir 15 m³/s. Atualmente, a Sabesp tem retirado 10.6m³/s.  “Em fevereiro do ano passado, estávamos retirando 14.97m³/s de vazão do Sistema Alto Tietê. Hoje estamos tirando 4.6m³/s a menos, só por causa  do programa de bônus e da redução de pressão. Tem que ter uma quantidade de chuvas até março.”

O superintendente ainda informou que a Sabesp está recorrendo a caminhões-pipa em alguns bairros afetados pela redução da pressão. Em Suzano, o reforço em dois bairros será feito nesta segunda-feira e na terça (20). Uma lista com os bairros afetados pela redução foi divulgada.

Ainda de acordo com a Sabesp, não há como saber quanto tempo levará a recuperação dos sistemas Alto Tietê e Cantareira. “A recuperação depende da chuva e do consumo. Como conseguimos reduzir a produção de água, mesmo uma chuva pequena consegue recuperar o sistema. Mas não dá pra saber se a recuperação total vai levar um ano, ou dois. Temos que avaliar enquanto a chuva vai ocorrendo. Nenhum meteorologista consegue prever chuva com mais de 15 dias de antecedência”, disse Oliveira.

Mesmo sem ter a certeza de que vai chover pelo menos a média já registrada nestes locais, a Sabesp nega ter um plano de contingência, caso as represas sequem e cheguem a 0% da capacidade.  “A Sabesp não trabalha com a hipótese de o cenário chegar a 0%. Temos a menor pluviometria dos últimos 87 anos, a maior seca dos últimos 100 anos. Mas mesmo assim, não sabemos se vai chover até final de março, então não dá pra saber.”

Oliveira falou sobre a interligação dos sistemas para evitar um colapso nos dois sistemas em que a situação é mais precária, em especial do Alto Tietê, que não conta com reserva técnica. “Não temos reserva técnica no Sistema Alto Tietê, tivemos um volume extra, descoberto pela Sabesp após uma recontagem. Temos a interligação dos sistemas que ajudam. O Rio Claro já manda água e agora em janeiro estamos fazendo as obras no Rio Guaratuba, perto da represa de Ponte Nova, onde vamos conseguir aumentar o volume em 600 l/seg, por meio de uma adutora de 1 metro de diâmetro”, detalhou. O governador Geraldo Alckmin já havia anunciado a medida durante visita a Ferraz de Vasconcelos na sexta-feira (16).

O superintendente pediu a colaboração da população para a economia de água. “No Alto Tietê, 72% da população atendida pela Sabesp conseguiu bônus economizando água. Outros 28% aumentaram o consumo, e precisamos reverter isso”.

Queda no volume
A pluviometria acumulada no Sistema Alto Tietê em janeiro está em 32,5 mm. Esse volume de chuvas é aproximadamente 87% menor do que a média histórica, que é de 251,5 mm. A última precipitação foi no dia 17 de janeiro, quando choveu apenas 0,1 mm. O volume de armazenamento das represas caiu pelo sexto dia consecutivo nesta segunda-feira (19), chegando a 10,4%. Esse nível é 0,9% menor do que o registrado na última segunda-feira (12), quando o sistema tinha 11,3%.

Na terça-feira (13) o nível havia se mantido estável. Na quarta-feira (14), o nível caiu 0,2%, chegando a 11,1%, na quinta-feira ele caiu mais uma vez 0,2% e chegou a 10,9%. A queda continuou e sexta-feira (17) o sistema tinha 10,8%. No sábado o reservatório tinha 10,6% e domingo amanheceu com 10,5%.

A pluviometria acumulada no mês está em 32,5 mm. Esse volume de chuvas é aproximadamente 87% menor do que a média histórica registrada para o mês de janeiro, que é de 251,5 milímetros. O nível subiu pela última vez no dia 30 dezembro, quando passou de 12% para 12,2%. No dia 17 de janeiro de 2014, quando a crise hídrica já havia começado, o nível do sistema estava em 45,9%.

O governador Geraldo Alckmin anunciou na sexta-feira que o Sistema Alto Tietê vai receber reforço. “Nós temos trabalhado no sentido de aumentar a oferta de água de outros sistemas. Por exemplo, nesse mês de janeiro, aqui no Alto Tietê, nós teremos mais meio metro cúbico por segundo do Rio Guaratuba. Dá 500 litros por segundo do Guaratuba reforçando o Alto Tietê”, declarou.

A Sabesp detalhou que o Córrego Guaratuba está sofrendo intervenções para atingir 1,5 m³/s no Ribeirão Rio Claro, aumentando a reservação da represa Ponte Nova, pertencente ao Sistema Alto Tietê. As obras do Guaratuba devem ser concluídas até o dia 31 deste mês e o volume poderá aumentar até 1.000 l/s.”

Uma lista com 145 bairros do Alto Tietê que têm sofrido os efeitos da redução da pressão da água foi divulgada pela Sabesp.

Mês seco
Em visita a Mogi das Cruzes no dia 8 de janeiro o governador Geraldo Alckmin já havia afirmado que era preciso se precaver para mais um mês seco. “Neste ano, se a gente for verificar o Alto Tietê, a média histórica de chuvas é de 251 milímetros para o mês de janeiro. Chegamos a ter chuva de 439 milímetros. Mas a média é 251. Nós estamos no dia 8 de janeiro e, até agora, choveu 25 milímetros. Se você multiplicar 25 por 3,5, porque é 8 vezes 3,5 para dar um mês, vai dar menos de 100 milímetros no mês de janeiro. Então, estamos com um volume menor do que a média história da região, nós precisamos nos precaver”, disse.

Questionado sobre os planos a curto prazo para o enfrentamento da crise hídrica, o governador falou apenas sobre as ações já adotadas pela Sabesp. “Nós já fizemos duas ampliações importantes de preservação. Ampliamos o reservatório de Biritiba Mirim e sua capacidade aumentou para 9 bilhões de litros de água.Também fizemos uma ampliação importante no reservatório de Ponte Nova, em Salesópolis. Temos ainda um aumento de produção do Rio Guaratuba. Já foram 300 litros por segundo a mais, e em 15 dias nós vamos concluir uma obra que vai possibilitar mais 800 litros por segundo. Então já tivemos 300 litros a mais do Guaratuba para o Sistema Alto Tietê, e em 15 dias teremos mais 800 litros por segundo também no Guaratuba”, detalhou.

No dia 14 de dezembro, a Sabesp acrescentou aos índices do Alto Tietê quase 40 bilhões de litros de uma “reserva extra”, que não considera volume morto. O G1 fez imagens com drone do ponto onde pode estar havendo a captação. Além disso, de setembro a dezembro, A Sabesp transferiu 5,2 bilhões de litros de água do Sistema Rio Claro, que fica em Salesópolis, para as represas do Alto Tietê.

O Sistema AltoTietê abastece 4,5 milhões de habitantes da Grande São Paulo e parte da capital. Desde dezembro de 2013, fornece água também a moradores que antes eram atendidos pelo Cantareira.

Em dezembro de 2013, a água produzida na região passou a atender parte da população que antes era abastecida pelo Sistema Cantareira, mas a medida foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin apenas em março de 2014.

Implantado no início da década de 1970, o sistema é formado por cinco reservatórios: Ponte Nova (Rio Tietê), no limite dos municípios de Salesópolisxe Biritiba Mirim; Paraitinga (Rio Paraitinga), em Salesópolis; Biritiba (Rio Biritiba), no limite dos municípios de Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes; Jundiaí (Rio Jundiaí), em Mogi das Cruzes; e barragem de Taiaçupeba (Rio Taiaçupeba), no limite de Mogi e Suzano. A água do sistema é tratada na Estação de Taiaçupeba, em Suzano.

Fonte: G1